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Notícia

Angola Marca Presença com 13 Empresas no Mining Indaba 2026 na Cidade do Cabo

Delegação angolana liderada pelo Ministro Diamantino Azevedo negociou com Barrick e BHP e aderiu ao Fórum Intergovernamental de Mineração

Teresa Machado
20 de fevereiro de 2026
7 min de leitura
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Angola Marca Presença com 13 Empresas no Mining Indaba 2026 na Cidade do Cabo

A maior delegação angolana de sempre no Mining Indaba

A 32.ª edição do Investing in African Mining Indaba decorreu de 9 a 12 de Fevereiro de 2026 no Cape Town International Convention Centre (CTICC), na Cidade do Cabo, África do Sul, sob o lema "Stronger Together: Progress Through Partnerships". O evento reuniu mais de 10.500 delegados de todo o mundo, incluindo investidores, empresas mineiras e representantes governamentais, consolidando-se como a maior conferência do sector mineiro em África.

Angola fez-se representar por uma delegação de 13 empresas, numa participação conjunta denominada "Angola's Mineral Potential", liderada pelo Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo. Entre as empresas presentes destacaram-se a ENDIAMA, a SONANGOL, a SODIAM, a Sociedade Mineira de Catoca e a Sociedade Mineira do Luele, representando os principais sectores da indústria extractiva angolana.

Negociações estratégicas com Barrick e BHP

O Ministro Diamantino Azevedo destacou como principais avanços as reuniões com duas das maiores empresas mineiras do mundo: a Barrick Gold Corporation, envolvida em projectos de exploração de ouro, e a BHP, uma das maiores empresas de cobre a nível global. "Já acordámos os próximos passos tanto com a BHP como com a Barrick", afirmou o ministro à imprensa, acrescentando que foram igualmente realizadas conversações com várias outras empresas internacionais.

A delegação angolana concentrou os seus esforços na atracção de empresas interessadas na exploração de minerais como cobre e ouro, bem como na promoção de licenças já concedidas a empresas nacionais que enfrentam dificuldades na implementação dos seus projectos. Esta abordagem pragmática reflecte a estratégia do governo angolano de combinar a atracção de investimento estrangeiro com o fortalecimento do tecido empresarial nacional.

Diplomacia mineira: conversas bilaterais com quatro potências

Para além das negociações com o sector privado, Angola realizou conversas bilaterais com delegações governamentais dos Estados Unidos, Austrália, Canadá e França. As discussões com os Estados Unidos centraram-se no desenvolvimento de minerais críticos, essenciais para a transição energética global. Com a França, o foco recaiu sobre a cooperação mineira e o fortalecimento da relação entre o Instituto Geológico de Angola e o BRGM (Bureau de Recherches Géologiques et Minières).

O Canadá, enquanto líder mundial no sector mineiro, foi identificado como potencial parceiro na partilha de conhecimentos técnicos para apoiar o crescimento das pequenas e médias empresas mineiras angolanas. A Austrália, com a sua forte tradição no sector, proporcionou dois momentos de interacção, incluindo a participação num fórum organizado pela embaixada australiana. Actualmente, pelo menos duas empresas australianas operam em Angola — uma no sector dos fosfatos e outra no lítio e terras raras.

Infraestrutura como factor de competitividade

O Ministro Azevedo sublinhou que, para além dos recursos minerais, Angola tem investido em infraestruturas estratégicas como caminhos-de-ferro, energia, estradas e portos — factores que reforçam a competitividade do país no panorama mineiro internacional. "Tudo isto ajuda a melhorar a imagem do país e a demonstrar aos investidores que Angola é um país cheio de oportunidades", declarou.

Esta visão integrada, que combina a riqueza geológica com o desenvolvimento infraestrutural, posiciona Angola como um destino cada vez mais atractivo para o investimento mineiro internacional, num momento em que o continente africano procura capitalizar a crescente procura global por minerais críticos e estratégicos.

Balanço positivo e perspectivas futuras

No encerramento do evento, o Ministro Diamantino Azevedo afirmou que Angola alcançou "praticamente todos os objectivos" definidos para a sua participação no Mining Indaba 2026. O balanço positivo reflecte-se não apenas nas negociações comerciais, mas também no reforço das relações diplomáticas e na projecção internacional do potencial mineiro angolano.

Com a crescente procura mundial por minerais críticos para a transição energética — como cobre, lítio e terras raras — Angola encontra-se numa posição privilegiada para diversificar a sua economia para além do petróleo e dos diamantes, atraindo investimentos que possam transformar o sector mineiro num pilar fundamental do desenvolvimento económico do país.

Teresa Machado

Teresa Machado

Jornalista especializada em economia e finanças com mais de 15 anos de experiência. Formada em Economia pela Universidade Agostinho Neto, Ana Silva tem acompanhado de perto as transformações do sistema financeiro angolano e as políticas do Banco Nacional de Angola.

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