Para além dos diamantes
Angola, o terceiro maior produtor mundial de diamantes com uma produção de 15 milhões de quilates em 2025, está a dar passos decisivos para diversificar a sua produção mineral. O foco está agora nos minerais críticos — cobre, lítio, ferro, nióbio e terras raras — essenciais para a transição energética global e cada vez mais procurados pelos mercados internacionais.
Durante a 32.ª edição do Mining Indaba, realizada em Fevereiro de 2026 na Cidade do Cabo, o Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, reuniu-se com gigantes da indústria mineira, incluindo a Barrick (ouro) e a BHP (cobre), bem como com delegações governamentais dos Estados Unidos, França, Canadá e Austrália.
Projectos em curso e novos investimentos
O portfólio de projectos mineiros em Angola está a crescer rapidamente. Entre os destaques:
- Projecto de cobre de Mavoio — em produção desde 2025, representa o primeiro grande projecto de cobre do país
- NioBonga — projecto de nióbio em fase final de desenvolvimento
- Exploração de lítio — várias concessões atribuídas a empresas internacionais nas províncias do Huíla e Namibe
- Ferro de Cassinga — reactivação do histórico projecto de minério de ferro
"Viemos com objectivos muito concretos, e grande parte deles foi cumprida. Queríamos captar novos investidores para minerais estratégicos e conseguimos fazê-lo", afirmou Azevedo após o Mining Indaba.
Gigantes internacionais já operam no país
A presença de empresas de referência mundial no sector mineiro angolano é cada vez mais significativa. "Hoje temos no país empresas de referência como Anglo American, Rio Tinto, BHP, Ivanhoe Mines, entre outras. O sector mineiro angolano é muito mais diversificado", destacou o Ministro Azevedo.
Esta presença internacional não se limita à exploração. As empresas estão também a investir em infra-estruturas, formação de quadros locais e desenvolvimento comunitário, contribuindo para um modelo de mineração mais sustentável e inclusivo.
O papel dos minerais críticos na transição energética
A transição energética global está a impulsionar uma procura sem precedentes por minerais como cobre, lítio, cobalto e terras raras. O cobre, essencial para redes eléctricas e veículos eléctricos, poderá ver a sua procura duplicar até 2035. O lítio, componente fundamental das baterias, regista uma procura crescente ano após ano.
Angola possui reservas significativas de vários destes minerais, mas a sua exploração tem sido historicamente limitada pela falta de investimento, infra-estruturas e, em alguns casos, por quadros regulatórios insuficientes. A recente adesão ao Fórum Intergovernamental de Mineração (IGF) visa precisamente colmatar estas lacunas.
Infra-estruturas como factor diferenciador
O governo angolano está a investir massivamente em infra-estruturas logísticas e energéticas para apoiar o crescimento do sector mineiro. O Corredor do Lobito — que liga a RDC e a Zâmbia ao porto do Lobito — é peça central desta estratégia, permitindo o escoamento eficiente de minerais para os mercados internacionais.
A reabilitação de caminhos de ferro, a construção de estradas e a expansão da capacidade portuária são investimentos que beneficiam não apenas o sector mineiro, mas toda a economia angolana.
Perspectivas e desafios
Apesar do optimismo, Angola enfrenta desafios importantes na diversificação mineral. A necessidade de formar quadros técnicos nacionais, de garantir a transparência nos processos de concessão e de assegurar que as comunidades locais beneficiem da exploração são questões prioritárias.
O compromisso assumido no Mining Indaba 2026 e a crescente presença de operadores internacionais de primeira linha sugerem, contudo, que Angola está no caminho certo para se tornar um actor relevante no mercado global de minerais críticos.


