Prata$75.19-1.69%|Paládio$1,580.50+2.62%|Cobre$6.01+2.04%|
Prata$75.19-1.69%|Paládio$1,580.50+2.62%|Cobre$6.01+2.04%|
Prata$75.19-1.69%|Paládio$1,580.50+2.62%|Cobre$6.01+2.04%|
Análise

Angola Impulsiona Exploração de Minerais Críticos: Do Cobre ao Lítio, o País Vai Além dos Diamantes

Com presença de Anglo American, Rio Tinto e Ivanhoe Mines, o terceiro maior produtor mundial de diamantes diversifica a sua produção mineral

Teresa Machado
19 de fevereiro de 2026
8 min de leitura
23 visualizações
Angola Impulsiona Exploração de Minerais Críticos: Do Cobre ao Lítio, o País Vai Além dos Diamantes

Para além dos diamantes

Angola, o terceiro maior produtor mundial de diamantes com uma produção de 15 milhões de quilates em 2025, está a dar passos decisivos para diversificar a sua produção mineral. O foco está agora nos minerais críticos — cobre, lítio, ferro, nióbio e terras raras — essenciais para a transição energética global e cada vez mais procurados pelos mercados internacionais.

Durante a 32.ª edição do Mining Indaba, realizada em Fevereiro de 2026 na Cidade do Cabo, o Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, reuniu-se com gigantes da indústria mineira, incluindo a Barrick (ouro) e a BHP (cobre), bem como com delegações governamentais dos Estados Unidos, França, Canadá e Austrália.

Projectos em curso e novos investimentos

O portfólio de projectos mineiros em Angola está a crescer rapidamente. Entre os destaques:

  • Projecto de cobre de Mavoio — em produção desde 2025, representa o primeiro grande projecto de cobre do país
  • NioBonga — projecto de nióbio em fase final de desenvolvimento
  • Exploração de lítio — várias concessões atribuídas a empresas internacionais nas províncias do Huíla e Namibe
  • Ferro de Cassinga — reactivação do histórico projecto de minério de ferro

"Viemos com objectivos muito concretos, e grande parte deles foi cumprida. Queríamos captar novos investidores para minerais estratégicos e conseguimos fazê-lo", afirmou Azevedo após o Mining Indaba.

Gigantes internacionais já operam no país

A presença de empresas de referência mundial no sector mineiro angolano é cada vez mais significativa. "Hoje temos no país empresas de referência como Anglo American, Rio Tinto, BHP, Ivanhoe Mines, entre outras. O sector mineiro angolano é muito mais diversificado", destacou o Ministro Azevedo.

Esta presença internacional não se limita à exploração. As empresas estão também a investir em infra-estruturas, formação de quadros locais e desenvolvimento comunitário, contribuindo para um modelo de mineração mais sustentável e inclusivo.

O papel dos minerais críticos na transição energética

A transição energética global está a impulsionar uma procura sem precedentes por minerais como cobre, lítio, cobalto e terras raras. O cobre, essencial para redes eléctricas e veículos eléctricos, poderá ver a sua procura duplicar até 2035. O lítio, componente fundamental das baterias, regista uma procura crescente ano após ano.

Angola possui reservas significativas de vários destes minerais, mas a sua exploração tem sido historicamente limitada pela falta de investimento, infra-estruturas e, em alguns casos, por quadros regulatórios insuficientes. A recente adesão ao Fórum Intergovernamental de Mineração (IGF) visa precisamente colmatar estas lacunas.

Infra-estruturas como factor diferenciador

O governo angolano está a investir massivamente em infra-estruturas logísticas e energéticas para apoiar o crescimento do sector mineiro. O Corredor do Lobito — que liga a RDC e a Zâmbia ao porto do Lobito — é peça central desta estratégia, permitindo o escoamento eficiente de minerais para os mercados internacionais.

A reabilitação de caminhos de ferro, a construção de estradas e a expansão da capacidade portuária são investimentos que beneficiam não apenas o sector mineiro, mas toda a economia angolana.

Perspectivas e desafios

Apesar do optimismo, Angola enfrenta desafios importantes na diversificação mineral. A necessidade de formar quadros técnicos nacionais, de garantir a transparência nos processos de concessão e de assegurar que as comunidades locais beneficiem da exploração são questões prioritárias.

O compromisso assumido no Mining Indaba 2026 e a crescente presença de operadores internacionais de primeira linha sugerem, contudo, que Angola está no caminho certo para se tornar um actor relevante no mercado global de minerais críticos.

Teresa Machado

Teresa Machado

Jornalista especializada em economia e finanças com mais de 15 anos de experiência. Formada em Economia pela Universidade Agostinho Neto, Ana Silva tem acompanhado de perto as transformações do sistema financeiro angolano e as políticas do Banco Nacional de Angola.

Partilhar este artigo

Partilhar Artigo