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Análise

Drones Revolucionam a Exploração Mineira: Da Prospecção à Reabilitação Ambiental

Veículos aéreos não tripulados equipados com LiDAR e sensores multiespectrais transformam operações mineiras em todo o mundo, reduzindo custos em até 75% e melhorando a segurança dos trabalhadores

Teresa Machado
20 de fevereiro de 2026
9 min de leitura
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Drones Revolucionam a Exploração Mineira: Da Prospecção à Reabilitação Ambiental

A Revolução dos Drones na Indústria Mineira

A indústria mineira global está a atravessar uma transformação tecnológica sem precedentes, e os veículos aéreos não tripulados — vulgarmente conhecidos como drones — estão no centro desta revolução. De minas a céu aberto na Austrália a operações subterrâneas na África do Sul, os drones estão a redefinir a forma como as empresas mineiras exploram, monitorizam e gerem os seus activos.

Segundo dados da consultora GlobalData, o mercado de drones aplicados à mineração deverá atingir os 4,8 mil milhões de dólares até 2027, com uma taxa de crescimento anual composta de 15,3%. Este crescimento reflecte a adopção acelerada por parte de grandes operadores como a Rio Tinto, BHP e Anglo American, que já integram frotas de drones nas suas operações diárias.

Mapeamento Topográfico e Levantamento Aéreo

Uma das aplicações mais consolidadas dos drones na mineração é o levantamento topográfico. Equipados com sensores LiDAR (Light Detection and Ranging) e câmaras multiespectrais, os drones conseguem gerar modelos digitais de terreno com precisão centimétrica em fracções do tempo que os métodos tradicionais exigiam.

Um levantamento topográfico convencional de uma mina a céu aberto de média dimensão pode demorar entre duas a três semanas com equipas de topógrafos no terreno. Com um drone equipado com LiDAR, o mesmo trabalho pode ser concluído em dois a três dias, com maior precisão e sem expor trabalhadores a riscos desnecessários. A empresa canadiana Hatch estima que esta tecnologia reduz os custos de levantamento em até 75%.

Os dados recolhidos alimentam modelos 3D que permitem aos engenheiros de minas planear a extracção com maior eficiência, optimizando rotas de transporte, calculando volumes de material com precisão e identificando potenciais instabilidades geológicas antes que se tornem problemas operacionais.

Monitorização de Segurança e Inspecção de Infraestruturas

A segurança é uma preocupação central na indústria mineira, e os drones estão a contribuir significativamente para a redução de acidentes. Em minas a céu aberto, os drones são utilizados para inspeccionar taludes e paredes de escavação, detectando fissuras, movimentos de terreno e sinais de instabilidade que poderiam resultar em deslizamentos fatais.

A tecnologia de imagem térmica integrada nos drones permite ainda identificar pontos de aquecimento em pilhas de estéril e barragens de rejeitos — um indicador precoce de potenciais falhas estruturais. Após a tragédia de Brumadinho no Brasil em 2019, onde o colapso de uma barragem de rejeitos causou 270 mortes, a monitorização por drone tornou-se praticamente obrigatória em operações de grande escala.

Em minas subterrâneas, drones especializados como o Elios 3 da Flyability são capazes de navegar em espaços confinados, inspeccionando galerias, chaminés de ventilação e câmaras de extracção sem necessidade de enviar trabalhadores para áreas potencialmente perigosas. Estes drones resistentes a colisões utilizam sensores de proximidade e sistemas de navegação autónoma para operar em ambientes sem GPS.

Exploração Geológica e Prospecção

Na fase de exploração, os drones equipados com sensores magnetométricos e espectrais estão a transformar a prospecção mineral. Estes equipamentos conseguem detectar anomalias magnéticas e variações na composição mineral do solo que indicam a presença de depósitos minerais em profundidade.

A empresa australiana SkyTEM desenvolveu um sistema de levantamento electromagnético aerotransportado que, quando montado em drones de grande porte, consegue mapear a geologia subsuperficial até 300 metros de profundidade. Esta tecnologia tem sido particularmente útil na exploração de depósitos de lítio, cobre e ouro em regiões remotas da Austrália e do Canadá.

Em Angola, onde o sector mineiro está em franca expansão, várias concessões na Lunda Norte e Lunda Sul já utilizam drones para levantamentos preliminares de áreas de prospecção diamantífera, reduzindo significativamente os custos e o tempo necessário para avaliar o potencial de novos depósitos.

Gestão Ambiental e Reabilitação

Os drones desempenham também um papel crescente na gestão ambiental das operações mineiras. Através de câmaras multiespectrais e sensores de qualidade do ar, é possível monitorizar em tempo real a dispersão de poeiras, a qualidade da água em bacias de retenção e o estado da vegetação nas áreas circundantes.

Na reabilitação de áreas mineiras, os drones são utilizados para dispersão aérea de sementes — uma técnica conhecida como "drone seeding" — que permite revegetar grandes extensões de terreno degradado de forma rápida e eficiente. A empresa BioCarbon Engineering, agora conhecida como Dendra Systems, desenvolveu drones capazes de plantar até 40.000 sementes por dia, acelerando drasticamente o processo de recuperação ambiental.

Desafios e Perspectivas Futuras

Apesar dos avanços significativos, a adopção de drones na mineração enfrenta ainda alguns desafios. A regulamentação do espaço aéreo em zonas mineiras varia significativamente entre jurisdições, criando incerteza para operadores que actuam em múltiplos países. A autonomia das baterias continua a ser uma limitação, embora os progressos em baterias de estado sólido prometam duplicar o tempo de voo nos próximos anos.

A integração dos dados recolhidos por drones com sistemas de gestão mineira existentes — como os softwares Deswik, Vulcan e Surpac — requer investimento em infraestrutura digital e formação de pessoal. No entanto, os retornos sobre o investimento são consistentemente positivos: um estudo da McKinsey estima que a digitalização completa de uma operação mineira, incluindo o uso de drones, pode aumentar a produtividade em 20 a 30%.

O futuro aponta para frotas de drones totalmente autónomos, capazes de realizar missões programadas de inspecção e monitorização sem intervenção humana. Empresas como a Skydio e a DJI Enterprise já oferecem soluções de voo autónomo com capacidade de evitar obstáculos e seguir rotas pré-definidas, e a próxima geração de drones mineiros deverá integrar inteligência artificial para análise em tempo real dos dados recolhidos.

Para a indústria mineira africana, e em particular para Angola, a adopção de tecnologia de drones representa uma oportunidade única de modernizar operações, melhorar a segurança dos trabalhadores e reduzir o impacto ambiental — pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável do sector.

Teresa Machado

Teresa Machado

Jornalista especializada em economia e finanças com mais de 15 anos de experiência. Formada em Economia pela Universidade Agostinho Neto, Ana Silva tem acompanhado de perto as transformações do sistema financeiro angolano e as políticas do Banco Nacional de Angola.

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