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Notícia

Descoberta da Eni no Bloco 15/06 Reforça Potencial Petrolífero de Angola com 500 Milhões de Barris

Poço Algaita-01 confirma reservas significativas em águas profundas, enquanto governo aposta em 70 mil milhões de dólares em projectos upstream

Beatriz Sousa
20 de fevereiro de 2026
7 min de leitura
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Descoberta da Eni no Bloco 15/06 Reforça Potencial Petrolífero de Angola com 500 Milhões de Barris

Uma descoberta que muda o panorama

A 14 de Fevereiro de 2026, a petrolífera italiana Eni confirmou uma descoberta significativa de petróleo no poço de exploração Algaita-01, localizado no Bloco 15/06, em águas profundas ao largo de Angola. As estimativas preliminares apontam para cerca de 500 milhões de barris de petróleo, tornando esta uma das maiores descobertas no país nos últimos anos.

O poço foi perfurado a 10 de Janeiro de 2026 pelo navio de perfuração Saipem 12000. O Bloco 15/06 é operado pela Azule Energy — uma joint venture entre a Eni e a bp — em parceria com a SSI e a Sonangol E&P, a empresa estatal angolana de petróleo e gás.

Estratégia para travar o declínio da produção

A descoberta surge num momento crucial para Angola, que tem vindo a enfrentar um declínio natural da produção nos seus campos maduros. O governo angolano está a reforçar significativamente o investimento na exploração petrolífera com o objectivo claro de manter a produção acima de um milhão de barris por dia.

José Barroso, Secretário de Estado para o Petróleo e Gás, declarou: "Angola entra numa fase decisiva de crescimento e consolidação do sector petrolífero e do gás. Já lançámos as bases, pelo que 2026 será o ano de converter projectos em produção e em impacto económico real."

Novos operadores e novos blocos

Neste contexto, a Shell, a Equinor e a Sonangol assinaram acordos para a exploração de 17 novos blocos offshore. A ronda de licitações de 2025 ofereceu novas concessões nos blocos das bacias do Kwanza e de Benguela, atraindo o interesse de operadores internacionais de primeira linha.

"Acreditamos que essa é, no fundo, a acção certa, trazer novas empresas e convencer as que já cá estão a investir em exploração. Sem produção não vamos poder, por muito tempo, manter a extracção nos níveis que temos hoje", acrescentou Barroso.

Carteira de projectos de 70 mil milhões de dólares

A carteira de projectos de exploração e produção (upstream) em Angola está estimada em impressionantes 70 mil milhões de dólares para os próximos anos. Entre os projectos em desenvolvimento destacam-se:

  • Begonia (TotalEnergies) — desenvolvimento de campo em águas profundas
  • Agogo Integrated West Hub (Azule Energy) — hub integrado de produção
  • Refinaria de Cabinda — novo projecto de refinação no norte do país
  • Refinaria do Lobito — com início de produção previsto para 2027

Impacto na economia angolana

A descoberta no Algaita-01 e os investimentos em curso são fundamentais para a economia de Angola, que continua a depender significativamente das receitas petrolíferas. A entrada de novos operadores e a expansão das actividades de empresas já estabelecidas — como a TotalEnergies, Azule Energy e Chevron — demonstram a confiança dos investidores internacionais no potencial geológico e no ambiente de negócios do país.

A aposta na exploração de gás natural, com projectos como o Consórcio Novo Gás, e o desenvolvimento de novas refinarias representam passos estratégicos para a diversificação da matriz energética e para a redução da dependência da importação de produtos refinados.

Perspectivas para 2026

Com a confirmação da descoberta no Bloco 15/06, Angola reforça a sua posição como um dos principais produtores de petróleo em África. A combinação de novas descobertas, investimentos em infra-estruturas de refinação e a atracção de novos operadores internacionais configura um cenário optimista para o sector petrolífero angolano em 2026 e nos anos seguintes.

O desafio principal continua a ser a conversão destes investimentos em produção efectiva, garantindo simultaneamente que as receitas geradas contribuam para a diversificação económica e o desenvolvimento sustentável do país.

Beatriz Sousa

Beatriz Sousa

Jornalista com especialização em política fiscal e tributária. Maria Costa tem coberto as principais reformas fiscais em Angola e acompanha de perto as decisões do Ministério das Finanças. É mestre em Finanças Públicas pela Universidade de Coimbra.

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