Uma descoberta que muda o panorama
A 14 de Fevereiro de 2026, a petrolífera italiana Eni confirmou uma descoberta significativa de petróleo no poço de exploração Algaita-01, localizado no Bloco 15/06, em águas profundas ao largo de Angola. As estimativas preliminares apontam para cerca de 500 milhões de barris de petróleo, tornando esta uma das maiores descobertas no país nos últimos anos.
O poço foi perfurado a 10 de Janeiro de 2026 pelo navio de perfuração Saipem 12000. O Bloco 15/06 é operado pela Azule Energy — uma joint venture entre a Eni e a bp — em parceria com a SSI e a Sonangol E&P, a empresa estatal angolana de petróleo e gás.
Estratégia para travar o declínio da produção
A descoberta surge num momento crucial para Angola, que tem vindo a enfrentar um declínio natural da produção nos seus campos maduros. O governo angolano está a reforçar significativamente o investimento na exploração petrolífera com o objectivo claro de manter a produção acima de um milhão de barris por dia.
José Barroso, Secretário de Estado para o Petróleo e Gás, declarou: "Angola entra numa fase decisiva de crescimento e consolidação do sector petrolífero e do gás. Já lançámos as bases, pelo que 2026 será o ano de converter projectos em produção e em impacto económico real."
Novos operadores e novos blocos
Neste contexto, a Shell, a Equinor e a Sonangol assinaram acordos para a exploração de 17 novos blocos offshore. A ronda de licitações de 2025 ofereceu novas concessões nos blocos das bacias do Kwanza e de Benguela, atraindo o interesse de operadores internacionais de primeira linha.
"Acreditamos que essa é, no fundo, a acção certa, trazer novas empresas e convencer as que já cá estão a investir em exploração. Sem produção não vamos poder, por muito tempo, manter a extracção nos níveis que temos hoje", acrescentou Barroso.
Carteira de projectos de 70 mil milhões de dólares
A carteira de projectos de exploração e produção (upstream) em Angola está estimada em impressionantes 70 mil milhões de dólares para os próximos anos. Entre os projectos em desenvolvimento destacam-se:
- Begonia (TotalEnergies) — desenvolvimento de campo em águas profundas
- Agogo Integrated West Hub (Azule Energy) — hub integrado de produção
- Refinaria de Cabinda — novo projecto de refinação no norte do país
- Refinaria do Lobito — com início de produção previsto para 2027
Impacto na economia angolana
A descoberta no Algaita-01 e os investimentos em curso são fundamentais para a economia de Angola, que continua a depender significativamente das receitas petrolíferas. A entrada de novos operadores e a expansão das actividades de empresas já estabelecidas — como a TotalEnergies, Azule Energy e Chevron — demonstram a confiança dos investidores internacionais no potencial geológico e no ambiente de negócios do país.
A aposta na exploração de gás natural, com projectos como o Consórcio Novo Gás, e o desenvolvimento de novas refinarias representam passos estratégicos para a diversificação da matriz energética e para a redução da dependência da importação de produtos refinados.
Perspectivas para 2026
Com a confirmação da descoberta no Bloco 15/06, Angola reforça a sua posição como um dos principais produtores de petróleo em África. A combinação de novas descobertas, investimentos em infra-estruturas de refinação e a atracção de novos operadores internacionais configura um cenário optimista para o sector petrolífero angolano em 2026 e nos anos seguintes.
O desafio principal continua a ser a conversão destes investimentos em produção efectiva, garantindo simultaneamente que as receitas geradas contribuam para a diversificação económica e o desenvolvimento sustentável do país.

