Ouro$5,068.90+1.43%|Prata$80.90+4.21%|Platina$2,148.20+3.84%|Paládio$1,745.00+2.89%|Cobre$5.76+0.43%|Brent$71.06-0.29%|WTI$66.20-0.30%|
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Análise

Ouro Acima dos 5.000 Dólares e Cobre em Máximos: Como Angola Pode Capitalizar o Boom das Commodities em 2026

Preços recorde das commodities minerais criam oportunidade histórica para Angola diversificar receitas e atrair investimento no sector extractivo

Beatriz Sousa
17 de fevereiro de 2026
9 min de leitura
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Ouro Acima dos 5.000 Dólares e Cobre em Máximos: Como Angola Pode Capitalizar o Boom das Commodities em 2026

Um momento histórico para as commodities minerais

O ano de 2026 está a revelar-se excepcional para os mercados de commodities minerais. O ouro ultrapassou a barreira dos 5.000 dólares por onça, atingindo máximos históricos impulsionados pela incerteza geopolítica, pela procura dos bancos centrais e pelo papel do metal precioso como refúgio em tempos de inflação. O cobre, por sua vez, continua a sua trajectória ascendente, sustentado pela procura crescente da transição energética e da electrificação global.

Philip Newman, da Metals Focus, uma das principais consultoras do sector, afirmou: "This is very positive for gold in 2026 and that's why we remain bullish, with a target above $5,000 an ounce." Esta previsão, que se tem confirmado, reflecte um consenso alargado entre analistas sobre a tendência de alta dos metais preciosos.

O panorama dos preços em 2026

Os principais indicadores do mercado de commodities minerais em 2026 mostram um cenário amplamente favorável:

O ouro negoceia consistentemente acima dos 5.000 USD/oz, enquanto a prata acompanha a tendência com preços acima dos 30 USD/oz. O cobre mantém-se em níveis elevados, acima dos 9.000 USD/tonelada, impulsionado pela procura da indústria de veículos eléctricos e energias renováveis. Os diamantes, após um período de ajustamento, mostram sinais de recuperação nos segmentos de maior qualidade.

Para os produtores africanos, as margens são particularmente atractivas. O custo de sustentação tudo-incluído (AISC) para produtores de ouro em África situou-se em cerca de 1.672 USD/onça no primeiro semestre de 2025, o que significa margens superiores a 3.300 USD/onça aos preços actuais.

O que isto significa para Angola

Angola está numa posição privilegiada para beneficiar deste boom. O país possui reservas significativas de vários minerais cujos preços estão em alta, e tem vindo a atrair investimento internacional para a sua exploração. O Ministro Diamantino Azevedo tem sido claro na sua ambição: "Convidamos grandes e médias empresas a se engajarem na mineração em Angola."

Os investimentos necessários variam significativamente: entre 5 a 10 milhões de dólares para pequenas operações e mais de 300 milhões de dólares para grandes projectos. Com os preços actuais das commodities, os retornos potenciais são substancialmente mais atractivos do que há dois ou três anos.

Ouro: a nova fronteira angolana

A Endiama, tradicionalmente focada nos diamantes, está a expandir as suas operações para a exploração de ouro. Os planos incluem o início da refinação de ouro em Angola ainda em 2026, um passo que permitiria ao país capturar mais valor na cadeia produtiva, em vez de exportar apenas o minério bruto.

A produção de ouro em África deverá ultrapassar as 1.000 toneladas em 2025, e Angola pretende aumentar a sua quota neste mercado. As províncias do Huíla, Bié e Moxico são identificadas como as mais promissoras para a exploração aurífera.

Cobre e minerais da transição energética

O cobre é, porventura, o mineral com maior potencial de crescimento para Angola. Essencial para redes eléctricas, veículos eléctricos, painéis solares e turbinas eólicas, a procura global de cobre deverá duplicar até 2035. O projecto de cobre de Mavoio, já em produção, é apenas o início do que poderá tornar-se um sector significativo da economia angolana.

Para além do cobre, Angola possui reservas de lítio, nióbio e terras raras — todos minerais essenciais para a transição energética e com preços em tendência de alta.

Desafios para capitalizar a oportunidade

Apesar do cenário favorável, Angola precisa de agir rapidamente para capitalizar esta janela de oportunidade. Os ciclos de commodities são, por natureza, temporários, e a conversão de potencial geológico em produção efectiva requer tempo, investimento e estabilidade regulatória.

A melhoria contínua do ambiente de negócios, a formação de quadros técnicos, o investimento em infra-estruturas e a garantia de transparência nos processos de concessão são factores determinantes para o sucesso. A participação activa no Mining Indaba 2026 e a adesão ao IGF são sinais positivos, mas é necessário manter o ritmo das reformas.

Conclusão

O boom das commodities minerais em 2026 representa uma oportunidade histórica para Angola. Com preços recorde do ouro e do cobre, interesse crescente de investidores internacionais e um governo determinado a diversificar a economia, o país reúne as condições para transformar o seu vasto potencial mineral em motor de desenvolvimento económico. O desafio será converter esta oportunidade em resultados concretos e sustentáveis a longo prazo.

Beatriz Sousa

Beatriz Sousa

Jornalista com especialização em política fiscal e tributária. Maria Costa tem coberto as principais reformas fiscais em Angola e acompanha de perto as decisões do Ministério das Finanças. É mestre em Finanças Públicas pela Universidade de Coimbra.

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