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Análise

Indústria de Diamantes do Canadá Enfrenta Declínio Estrutural Devido a Diamantes Sintéticos

Minas nos Territórios do Noroeste encerram ou reduzem operações face à concorrência de diamantes cultivados em laboratório e tarifas dos EUA

Carlos Mendes
20 de fevereiro de 2026
8 min de leitura
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Indústria de Diamantes do Canadá Enfrenta Declínio Estrutural Devido a Diamantes Sintéticos

Do Auge ao Declínio

A era moderna dos diamantes no NWT começou em novembro de 1991 com a descoberta de 81 pequenos diamantes em Lac de Gras, impulsionando o desenvolvimento da Mina de Diamantes EKATI, a primeira do Canadá. Em 2004, o Canadá tornou-se o terceiro maior produtor mundial de diamantes por valor, impulsionado pela produção do NWT. A indústria gerou milhares de empregos bem remunerados, com mais de 3.000 trabalhadores indígenas empregados, e fomentou negócios de propriedade indígena em toda a região.

No entanto, esta base económica está agora a enfraquecer rapidamente. A mina Diavik da Rio Tinto está programada para fechar, a mina Gahcho Kué da De Beers/Mountain Province Diamonds suspendeu planos de expansão, e a EKATI, propriedade da Burgundy Diamond Mines, enfrenta dificuldades financeiras graves após uma queda de 20% nos preços dos diamantes.

Diamantes Sintéticos Mudam o Jogo

As dificuldades da indústria são atribuídas a forças macroeconómicas profundas. O aumento da aceitação de diamantes cultivados em laboratório, que são quimicamente idênticos aos naturais mas significativamente mais baratos, tem reduzido drasticamente a quota de mercado dos diamantes naturais. A vantagem ética dos diamantes canadianos sobre os chamados "diamantes de sangue" também é desafiada pelas alternativas sintéticas, que não envolvem mineração.

Além disso, uma tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre as importações indianas perturbou a cadeia global de polimento, afetando empresas como a EKATI. O governo federal canadiano respondeu com um empréstimo de C$115 milhões para a EKATI e C$49,2 milhões em apoio adicional para mitigar os impactos comerciais, mas estas medidas são vistas como paliativas face aos desafios estruturais do sector.

Busca por Alternativas Económicas

A pressão política aumenta para que os líderes territoriais respondam à crise. Caitlin Cleveland, Ministra da Indústria, reconheceu a fraqueza dos preços e os altos custos, enfatizando a necessidade de apoio aos trabalhadores afetados. O Primeiro-Ministro R.J. Simpson destacou a falta de cláusulas de fiscalização nos acordos socioeconómicos com as empresas mineiras, que agora abandonam a região sem garantir alternativas económicas.

Os apelos à diversificação económica são cada vez mais fortes, com a esperança de que minerais críticos – como lítio, cobalto e terras raras – e infraestruturas melhoradas possam preencher o vazio deixado pelo sector de diamantes. No entanto, os especialistas admitem que nenhum projeto isolado poderá replicar a escala e a estabilidade que os diamantes proporcionaram durante três décadas.

Lições para a Indústria Global

O declínio da indústria de diamantes canadiana serve como um alerta para outros produtores globais. A disrupção causada pelos diamantes sintéticos é uma realidade que não pode ser ignorada, e os produtores de diamantes naturais precisam de repensar as suas estratégias de marketing, posicionamento e sustentabilidade para permanecerem competitivos.

Para os Territórios do Noroeste, o futuro permanece incerto. As comunidades que dependeram dos empregos e receitas gerados pela mineração de diamantes enfrentam agora a difícil tarefa de reinventar as suas economias numa era em que os diamantes já não são para sempre.

Carlos Mendes

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