Uma descoberta que redefine o panorama diamantífero angolano
A Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama E.P.) confirmou esta semana a descoberta de um novo e significativo depósito kimberlítico na província da Lunda Norte, uma região historicamente associada à riqueza diamantífera do país. O depósito, baptizado de "Kimberlito Esperança", situa-se a aproximadamente 45 quilómetros a nordeste da cidade do Dundo e foi identificado após dois anos de trabalhos intensivos de prospecção geológica.
De acordo com os estudos preliminares conduzidos por equipas técnicas da Endiama em parceria com consultores internacionais da De Beers Group, o depósito apresenta um potencial estimado de 12 milhões de quilates, com uma concentração média de 1,8 quilates por tonelada de minério — um valor considerado excepcionalmente elevado para depósitos kimberlíticos na região.
Investimento de 380 milhões de dólares
O projecto de exploração da nova mina exigirá um investimento inicial estimado em 380 milhões de dólares americanos, distribuídos ao longo de uma fase de desenvolvimento de três anos. O financiamento será assegurado através de uma parceria público-privada entre a Endiama (que deterá 51% da concessão) e um consórcio internacional liderado pela Alrosa, a gigante russa do sector diamantífero.
"Esta descoberta é um marco histórico para o sector mineiro angolano", declarou o Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás durante a conferência de imprensa realizada em Luanda. "Reforça a nossa posição como um dos principais produtores mundiais de diamantes e demonstra o enorme potencial geológico ainda por explorar no nosso território."
Impacto socioeconómico na região
A nova mina deverá gerar mais de 2.500 postos de trabalho directos e estima-se que o efeito multiplicador na economia local possa beneficiar até 15.000 famílias na província da Lunda Norte. O projecto inclui ainda um programa de responsabilidade social que prevê a construção de uma escola técnica de mineração, um centro de saúde e a reabilitação de 30 quilómetros de estradas na região.
A Endiama comprometeu-se igualmente a implementar práticas de mineração sustentável, em conformidade com o Processo de Kimberley e os padrões internacionais de responsabilidade ambiental. O estudo de impacto ambiental, actualmente em fase de elaboração, deverá estar concluído até ao final do primeiro trimestre de 2027.
Angola no contexto global dos diamantes
Com esta nova descoberta, Angola consolida a sua posição como o quarto maior produtor mundial de diamantes em valor, atrás apenas da Rússia, Botsuana e Canadá. Em 2025, o país exportou diamantes no valor de aproximadamente 1,8 mil milhões de dólares, representando cerca de 5% das receitas totais de exportação.
O sector diamantífero angolano tem vindo a beneficiar de uma política de diversificação económica promovida pelo governo, que visa reduzir a dependência do país em relação ao petróleo. A nova mina na Lunda Norte insere-se nesta estratégia mais ampla de valorização dos recursos minerais nacionais.
Próximos passos
A fase de desenvolvimento da mina deverá iniciar-se no segundo semestre de 2026, com a produção comercial prevista para o início de 2029. A Endiama estima que, em plena capacidade operacional, a mina poderá produzir até 1,5 milhões de quilates por ano, gerando receitas anuais superiores a 200 milhões de dólares.
Os analistas do sector consideram que esta descoberta poderá atrair novos investimentos internacionais para o sector mineiro angolano, num momento em que o país procura diversificar as suas fontes de receita e modernizar a sua indústria extractiva.



