A escalada do conflito no Médio Oriente teve impacto imediato sobre a indústria, com ataques iranianos a provocarem a paralisação temporária das operações comerciais em dois dos principais hubs mundiais: Israel e Dubai. O bloqueio logístico nestes centros comprometeu fluxos de exportação, leilões e transações internacionais, agravando a incerteza no sector.
Os indicadores mostram um mercado claramente segmentado. Enquanto diamantes polidos de maior dimensão (acima de 2 quilates) mantêm procura robusta e oferta limitada — sobretudo em formatos especiais —, os segmentos mais comuns registam quedas consistentes.
O índice Rapaport (RAPI) para diamantes de 1 quilate recuou 1,7% em março, enquanto:
Diamantes de 0,30 quilate caíram 1,1%
Diamantes de 0,50 quilate registaram uma queda mais acentuada de 3,5%
O índice de 3 quilates desvalorizou 0,5%
A própria Rapaport Price List ajustou preços em baixa em várias categorias no dia 20 de março, refletindo a pressão sobre a procura global.
No segmento de diamantes brutos, o cenário é misto. Pedras de maior dimensão (5 quilates ou mais) continuam a registar elevada procura, sustentada por uma oferta restrita. No entanto, a instabilidade em Dubai obrigou várias empresas a adiar leilões.
A De Beers, um dos principais players globais, avançou com medidas de ajuste, removendo entre 20 a 25 sightholders da sua lista de 69 clientes, numa estratégia de maior seletividade e eficiência. Ao mesmo tempo, há relatos de subida de preços no seu sight de março, sinalizando resiliência no segmento premium.
No retalho, a Signet Jewelers reportou vendas anuais de 6,81 mil milhões de dólares, um crescimento de 1,6%. Ainda assim, a empresa decidiu encerrar a plataforma James Allen, integrando-a na Blue Nile, numa aposta mais focada em diamantes naturais.
O actual contexto global tem implicações diretas para produtores africanos como Angola e Botswana, cuja dependência das exportações diamantíferas os torna particularmente sensíveis a choques externos.
A combinação de:
Instabilidade geopolítica
Queda de preços em segmentos-chave
Reorganização dos canais comerciais
pode traduzir-se em pressão sobre receitas, investimentos e sustentabilidade de projetos mineiros no continente.
Apesar das perturbações, a indústria global de diamantes mantém-se ativa, ainda que num ambiente mais seletivo e volátil. Para países produtores, o momento exige maior capacidade de adaptação, diversificação de mercados e reforço da competitividade.
Num mercado cada vez mais influenciado por factores externos, o desempenho do sector mineiro africano dependerá não apenas da geologia, mas também da geopolítica.




